Maria Perdigão

Artista do Coletivo BB arte – Bio e Acervo

Ateliê da artista visual Maria Perdigão

Percorri vários caminhos através dos quais, de modo geral, vivi duas grandes polaridades: o Cognitivo e o Artístico, os quais me permitiram um encontro maravilhoso e transformador entre Consciência e Arte. Esse encontro, embora tardio, teve como mediação a terra, ressignificando meu caminhar!
Em outras palavras, geógrafa como primeira formação, a Geografia cresceu em mim em direção da Arte. Agora a grafia de Géia – como os antigos gregos a chamavam-, migrou para as telas e os papéis, onde expresso e questiono quem somos, o que estamos fazendo e porque fazemos, como percebemos a vida e suas sutilezas.

Assim, a mim interessa e fascina observar como a NATUREZA através das TERRAS e de outras SUBSTÂNCIAS NATURAIS, produz determinada COR, seguindo seu caminho íntimo e vital!
Além disso, considero que a questão das SUBSTÂNCIAS NATURAIS passa a ser fundamental numa obra de arte, especialmente numa época em que a arte se emancipou do tema e do objeto, libertando-se deles, como já acentuou Udo Hermanstoffer, conferencista antroposófico.
Ao se pintar com o OBJETO MATERIAL TERRA se estimula imediata e espontaneamente o nível sinestésico e o sensorial, tirando-nos do domínio ou da polaridade do pensar, o que pode estimular tanto a formação de imagens subjetivas quanto a vivência emocional, acionando o lado direito do cérebro (maiores detalhes em minha Monografia “TERRA CÓSMICA – O Ser das Terras e o Ser Si Mesmo. O uso das Terras na Pintura e suas Funções Arte Terapêuticas”).
Quando utilizo as terras na pintura, sinto como que um resgate da memória ancestral das primeiras relações íntimas do ser humano com a natureza -as primeiras pinturas rupestres que testemunharam nossa capacidade diferenciada de simbolizar, feitas com terras e outros pigmentos naturais. Por outro lado, pretendo falar do CORPO PLANETÁRIO, de suas Paisagens.
Motivada por todas essas questões, movimento-me também através do universo da AQUARELA, companheira constante na minha busca da Cor enquanto essência da pintura. Sem contar a maior qualidade desta técnica admirável, especialmente por ser a grande portadora da TRANSPARÊNCIA, da translucência e da espontaneidade.
Veja abaixo obras do artista Maria Perdigão, disponíveis no Espaço BB arte – Ipanema.
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Título: “Redentor”

Ano 2018
Técnicas e materiais Pigmentos Naturais (Terras) e Folha de Ouro sobre Tel
Dimensões: 80x100cm

Esta obra nasceu como uma homenagem à cidade do Rio, onde moro, e ao mesmo tempo tempo foi concebida como um objeto de proteção, no sentido de que esta imagem possa suscitar algo de novo e bom dentro de nós, os espectadores!

A folha de Ouro é usada como uma substância nobre e sagrada para provocar em nossa alma uma sensação de dignidade de proteção divina e de alegria. Isto é, e´usada aqui, para ativar aspectos sensoriais e simbólicos positivos no nosso imaginário.
Faz parte de uma Série com Pigmentos Naturais sobre Tela e Metal (folha de Cobre), que comecei a fazer a partir de minha primeira Exposição quando mudei-me para o Rio, trabalhando um dos símbolos que mais gosto da cidade, que representa justamente um dos arquétipos mais importantes da história da cultura ocidental: o Arquétipo da Síntese, o Cristo.

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Título: “Cada um de nós tem um anjo, isto é, um nível de inteligência mais vigilante, que pode nos conduzir a toda luz de que somos capazes”

Ano: 2014
Técnicas e materiais: Pigmentos Naturais sobre Tela
Dimensões: 60x60cm

Esta obra faz parte da Série “Anjos”, tema recorrente no meu trabalho, a partir de diversas fontes de inspiração.

Neste caso, a inspiração brotou de uma leitura de Jean-Yves Leloup, filósofo, psicólogo, teólogo, escritor e sacerdote da Igreja Ortodoxa Francesa. A frase é o próprio título do quadro: Cada um de nós tem um anjo, isto é, um nível de inteligência mais vigilante, que pode nos conduzir a toda luz de que somos capazes.” Frase que me encanta, porque acentua o papel ativo da conquista da consciência por cada um de nós, e com ela o possibilidade da nossa própria proteção. às vezes, faço anjos enormes, como que para nos proteger, por exemplo, se colocados atrás de nossa cama, ou em qualquer parede de nossa casa.

Título: “Adão”

Ano: 2014
Técnicas e materiais: Pigmentos Naturais sobre Tela
Dimensões: 60x60cm

Título: “Eva”

Ano: 2014
Técnica: Pigmentos Naturais sobre Tela
Dimensões: 60x60cm

“Adão” e “Eva”(diptico), fazem parte de um dos temas que me acompanham desde o início de minha expressão artística, O CORPO. Temática esta, que é uma síntese de mutas vivências significativas em minha biografia: os primeiros retratos, os desenhos a carvão no primeiro ateliê aos 17 anos, os desenhos com modelo vivo já na maturidade no ateliê de Arriet Chaim, os dezoitos anos dedicados à dança flamenca, e vários ensaios feitos na praia com aquarelas desde que moro no Rio.

Esse trabalho, representa particularmente minha busca de construir e ressignificar o CORPO na tensão entre a polaridade apolíneo- dionisíaca, i.e., de um lado trazer a ordem, a proporção, a harmonia e de outro, brindar a pulsão, a espontaneidade, o fugaz, a leveza. Além disso, sempre presente no meu trabalho, se encontram também aqui as Substâncias Naturais buscando a transparência como na Aquarela, e a Linha, ora trazendo o movimento, ora indicando e guiando o olhar, assim como reforçando ou trazendo o acento.

Título: “Dobras do Tempo V”

Ano: 2019
Técnica: Pigmentos Naturais sobre Tela
Dimensões: 70x100cm

Essa obra nasceu absolutamente espontânea, a partir de um FAZER-SENTIR segundo a orientação antroposófica de Rudolf Steiner, fundador da escola a qual fiz minha Formação em Pintura. Qual seja a de pintar a partir da COR, i.e., uma pintura que brota da alma, de uma atitude segundo a qual se pinta não se partindo de como a cor se apresenta no mundo externo, nas coisas, mas apreendendo-a viva, livremente flutuante na alma.

Não a partir do que se sabe, mas a partir das exigências naturais da própria Cor, movimentando-a, até o surgimento da Idéia, mas logo em seguida, transubstanciando a própria matéria, sem intervenção meramente subjetiva. Nem sempre consigo pintar de acordo com esta atitude, basilar para se alcançar a proposta de Steiner. Atinge-se esta experiência sòmente se e quando se contemplam as CORES com absoluto “silêncio interior”. Penso que esta obra é o resultado de uma experiência nesta via de se conseguir Vida Ativa às CORES, assim como à “Dobras do Tempo I”, da série “Dobras do Tempo”. Nesta série procuro suscitar reflexões, através de um vocabulário novo, i.e., a partir da mistura de linguagens, disto que chamo de Híbrido de Pintura e Objeto, pois não é só Pintura, nem um simples Objeto, mas um misto dos dois. Além disso, com um título que traz um paradoxo: Dobras do Tempo! Desde quando o tempo tem dobras? O espaço, sim, permite dobraduras.

Sem Título

Ano: 2019
Técnica: Aquarela Dimensões: 45x57cm com moldura

Pertencente ao Universo da Aquarela, companheira que se tornou constante quando tomei consciência da Cor enquanto essência da Pintura, esta obra exemplifica o prazer de se pintar com essa técnica presenteada a nós ocidentais pelos chineses!

De um lado a rapidez de sua execução, o que nos permite interpretar cenas que nos fascinam “en plain air”. De outro as qualidades de transparência e translucência que se pode conseguir, aliada à espontaneidade, oferecendo resultados que podem combinar leveza, delicadeza, originalidade e força

Título: Alto Mar da Alma

Técnica: Pigmentos naturais sobre tela s/ chassi com acabamento a mão
Dimensão: 188 x 128 cm