No Espaço BB, O Uni Inverso de Antonio Garcia se apresenta como um território onde tudo se conecta sem hierarquias, sem começo e sem desfecho — um espaço que recusa a dualidade para afirmar o contínuo.
Suas obras instauram um campo de atravessamentos: galhos que se estendem como pensamentos, veias que lembram pele, sangue e memória.
Camadas sobre camadas que não ocultam — revelam.
Revelam que não há início, meio ou fim.
Há apenas o fluxo: contínuo, indomável, inevitável.
Antonio cria como quem devolve ao mundo aquilo que o mundo insiste em esquecer: que a vida se constrói de paradoxos e que nada caminha sozinho.
Modela formas que se tocam, se afastam e se reencontram, como se princípio e término fossem apenas pulsos de um mesmo organismo.
Nas telas, há ecos visuais que dialogam com a anatomia visceral de Egon Schiele, com a ousadia cromática dos troncos e paisagens de Wolf Kahn, e com a vibração intrincada dos caminhos arborizados de David Hockney.
Mas esta exposição também celebra uma travessia: o gesto de coragem de Marcos Bragança, que aos 65 anos escolheu viver pela arte — e, assim, abriu passagem para que este Uni Inverso pudesse existir.
Contemplar essas obras é percorrer um mundo sem dualidades.
Um mundo sem julgamento.
Um espaço onde tudo se encosta, se mistura, se transforma.
O Uni Inverso é, portanto, obra e rito — gesto de passagem, cura e afirmação.
Antonio Garcia nos conduz por esse universo expandido, onde não há ordem fixa nem respostas prontas.
Há apenas a certeza de que tudo — absolutamente tudo — está conectado.
Marcia Marschhausen; curadoria
